De velhas raizes minhas,

umas vivas, outras mortas,

retirei ervas daninhas

p’ra poder abrir mais portas.

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quarta-feira, 11 de maio de 2016

RETROSPECTIVA


Procuro na escrita o que não encontro em ninguém, mas já não sei se escrevo ou se me deixo mergulhar nas pausas que o tempo me vai dando. Vou-me desfolhando lentamente, contando, um a um, os Bem-me-Quer, Malmequer, da minha vida de Mulher. Oh! Como eu gostaria de prolongar a minha existência! Quantas histórias irei deixar, inacabadas, se me afogar num dos mergulhos que vou dando. Coragem e comunicação foram sempre as minhas armas de combate contra os ácidos da Vida. Não gosto da solidão. Umas vezes é flor, outras vezes um espinho, espetado no coração. Quando narro o que ficou escrito, nas palmas da minha mão, sinto o doce do mel, e o acre do limão. Quantas feridas se abriram em mim, sem um lamento meu e sem revolta. Foram muitas viagens que fizeram, de ida..., e de volta. Fui Mãe nas horas de ponta e madrasta vezes sem conta, quando aquilo que exigia, não se dissolvia nas águas em que me envolvia. Não! Não me tortura mais o Passado. Tortura-me o Presente. Esse sim, que é responsável pelo que sinto em mim. O meu corpo tem marcas, mas o meu espírito, não! Sou amor e desamor, numa mistura que dói, mas que não corrói a minha mente, porque a realidade não lho consente. Deslizo numa descida a pique, sem qualquer vontade, escorregando aqui ou ali, mas levantando-me sempre. Quero manter-me na vertical até que me chegue a desistência que aniquilará esta minha resistência. Não, eu não quero caminhar mais em chão de areia! Quero mergulhar em mares, como se fosse uma sereia.

Maria Letra
Co-autora do livro "Contos ao Vento" das Edições Vieira da Silva.

AMARE SENZA ESAGERARE



Mi piacerebbe capire per ché alcune persone con cui ci  incrociamo 
nella strada della nostra vita, ci lasciano una marca nel cuore, per sempre... 
Grazie, Carla Ghezzo!















Una frase, che ricordo,
l’ha ben scritta una signora
come titolo d’un suo libro:
“Va’ Dove Ti Porta il Cuore”!
Lei... è Susanna Tamaro,
che difende chi molto ama
e da questo ha tratto fama.

Amare..., Amare Solo tanto...
Una frase che io amo. Quanto!
Ma... rispetto le barriere,
fine a dove devo andare.
Delle volta, per un momento,
perdo l'orientamento
e mi fermo. Ho un sensore
che mi fa da controllore .

Noi amiamo tutta la vita
senza sapere spiegare
il vero senso dell’amore
e il vero senso di amare.
L'importante sarà, pertanto...,
- e di questo farne onore -
vivere amandoci tanto!

Maria Letra
2016-05-10


terça-feira, 10 de maio de 2016

GOSTO DE VOAR SOZINHA













Quando escrevo tenho asas,
o coração é meu guia.
Gosto de voar sozinha,
não quero ter companhia.
Sobrevoo mil montanhas
e mares fundos, com baleias.
Vejo formas lindas, estranhas,
que mais parecem sereias.
Na minha imaginação,
deslizam cores e corais.
Faço dela o meu guião
e dos versos, meus canais.

Através deles comunico
com aqueles a quem dedico
tudo o que escrevo em poemas.
Foi a forma que encontrei
para, do modo que eu sei,
exorcizar meus dilemas.

Maria Letra
2016-02-07

CARA WALLY

Sei sempre stata carina,
rispecchiando nel tuo sorriso,
e nel tuo viso,
la tua anima da bambina.
Ogni sogno un progetto.
In ogni incontro un affetto.
Sei sempre stata così...
Metti amore e arte
in tutto quanto fai.
Ma..., Wally, tu sai
che la vita tradisce
qualché volta,
e questo so che ti rivolta.
Ma non preoccuparti.
Avrai sempre gente ad amarti.
Te voglio tanto bene, amica mia.
Anche se nel futuro, quel che sia,
la vita ci separa,
avremo tanto da ricordare...
e pure da non dimenticare...

Maria Letra
2016-05-05

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

PEÇA TOMBADA



Esta saudade que sinto dói-me tanto
quanto a resistência que perdi
ao saber que partiste deste mundo.
Foram muitos os anos que, entretanto,
não conseguindo evitar, pensar em ti,
fui cavando em mim, um mal profundo.

Tu eras doce fogo, em minha vida,
que alimentava a esperança de te ter.
Foste sombra nos sonhos, que vivia
e, nesse meu sonhar, assaz perdida,
lutava contra o tempo p’ra te ver,
mas o tempo, sem pena..., me iludia.

O futuro que quis, não é mais nosso.
Estou farta desta vida de aquiescência
contra a qual não posso mais lutar.
Oh esta dor, que suportar não posso!
Cada pedaço de mim, é desistência,
é barco abandonado, a naufragar.

Eu queria apenas ver-te, se pudesse...
Não sei como..., nem quando, meu amor,
mas o tempo que tive, se perdeu.
Aquilo que esperava que ele me desse,
não caberá no tempo a meu dispor.
Deixou de pertencer-me. Não é meu.

Para justificar não querer morrer,
estou presa a mil reféns que eu inventei.
Faltar-me-á mais tempo, sim..., talvez,
mas lutarei na esperança de viver...,
porque..., deixar o mundo em que te amei,
seria um cheque-mate de xadrez.

Maria Letra

2015-10-29

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

CARTA ABERTA AOS JOVENS DO MEU PAÍS

Dormir oito horas por dia faz muito bem ao espírito e ao corpo, mas dormir muito mais do que isso pode provocar-Vos estados letárgicos de semi-“consciência” ou mesmo de “inconsciência” absoluta..., estados estes cada vez mais frequentes. Depois, o que é que acontece? Vocês passam à categoria de seres que caminham neste mundo como se buscassem um outro que, provavelmente, idealizam, mas que não existe, por muito esforço que façam, obviamente, para encontrá-lo. Trata-se de um "adormecimento" mórbido, com consequências nefastas. Caminham como quem não sabe onde está, para onde vai, o que é que está a acontecer à sua volta e, muito menos, o que poderão fazer para mudar o que está mal. Às vítimas destes “adormecimentos”, eu chamo-lhes "presenças ausentes".

Esta situação torna-se muito mais grave quando Vocês recorrem a “certas substâncias" que dar-Vos-ão, eventualmente, uma grande coragem momentânea, com “flashes” de uma alegria aberrante e nada contagiante, transportando-vos, facil e provavelmente, à categoria de delinquentes. Tais "substâncias"
abafam as vontades sãs e Vocês deixam de ser jovens impulsionadores de um futuro que se deseja melhor, para passarem a seres infelizes e indesejáveis. Lamento e sofro quando presencio certos cenários e vejo alguns de Vocês a deambular por aí, ora eufóricos e com vontade de “virar o mundo” - estados que acabam por abortar após o efeito dessas "substâncias" - deixando-Vos piores do que estavam anteriormente ao seu uso – ora transformados em farrapos humanos, sem objectivos, sem força e sem iniciativas saudáveis. Tornam-se quezilentos, ciumentos e agressivos..., alternados com estados de perseguição aos fracos.

Não acreditem na "teoria" que Vos impingem certos adultos inconscientes, que afirmam que as chamadas “drogas leves” - cannabis, haxixe, marijuana - não prejudicam e podem mesmo ser benéficas, NÃO CRIANDO HABITUAÇÃO... ISTO NÃO É VERDADE!!!

Maria Letra
2015-09-25

quinta-feira, 16 de julho de 2015

ALGUÉM ME PEDIU A MINHA OPINIÃO? NÃO! MAS EU GOSTO DE DÁ-LA!

AS PREMONIÇÕES DE NATÁLIA CORREIA
"A nossa entrada (na CEE) vai provocar gravíssimos retrocessos no país, a Europa não é solidária com ninguém, explorar-nos-á miseravelmente como grande agiota que nunca deixou de ser. A sua vocação é ser colonialista".
"Portugal vai entrar num tempo de subcultura, de retrocesso cultural, como toda a Europa, todo o Ocidente".
"Mais de oitenta por cento do que fazemos não serve para nada. E ainda querem que trabalhemos mais. Para quê? Além disso, a produtividade hoje não depende já do esforço humano, mas da sofisticação tecnológica".
"Os neoliberais vão tentar destruir os sistemas sociais existentes, sobretudo os dirigidos aos idosos. Só me espanta que perante esta realidade ainda haja pessoas a pôr gente neste desgraçado mundo e votos neste reaccionário centrão".
"Há a cultura, a fé, o amor, a solidariedade. Que será, porém, de Portugal quando deixar de ter dirigentes que acreditem nestes valores?"
"As primeiras décadas do próximo milénio serão terríveis. Miséria, fome, corrupção, desemprego, violência, abater-se-ão aqui por muito tempo. A Comunidade Europeia vai ser um logro. O Serviço Nacional de Saúde, a maior conquista do 25 de Abril, e Estado Social e a independência nacional sofrerão gravíssimas rupturas. Abandonados, os idosos vão definhar, morrer, por falta de assistência e de comida. Espoliada, a classe média declinará, só haverá muito ricos e muito pobres. A indiferença que se observa ante, por exemplo, o desmoronar das cidades e o incêndio das florestas é uma antecipação disso, de outras derrocadas a vir".
Natália Correia
Lisboa, 16 de Março de 1993
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Esta previsão de Natália Correia, feita em 1993, está fantástica, quanto a mim. Ao longo de 22 anos, os factos comprovam uma triste verdade: esta Senhora tinha consciência duma realidade que anunciou, independentemente das posições que tenha assumido, durante a sua vida, a maioria das quais desconheço. Refiro-me, apenas, a este discurso. Não importa se tu és de esquerda ou de direita, basta que tenhas consciência das opções que assumires ao tomar uma decisão importante, decisão essa que pode vir a prejudicar fortemente a tua Nação, se não souberes escolher o Homem que gostarias de ver governá-la. Tal escolha não deve – de forma alguma – servir o teu partido, mas sim a tua Nação.
Por classe social entendo várias, entre elas:
- a que teve acesso à cultura e que a adaptou a bons princípios que defende; 
- a que teve acesso a uma cultura apenas libresca e que a adaptou a si, para tentar satisfazer as suas excessivas e egoístas ambições; 
- a que não teve acesso – por um ou por outro motivo – à base cultural que poderia ter-lhe dado a possibilidade de julgar por si e não pelo que os outros lhes dizem. 
- etc....
Não acredito em classes sociais ditas ricas e pobres. Não é o ter ou não ter dinheiro que nos coloca num dos dois patamares. São os valores que defendemos e, aí, os patamares são vários.
Temos tido governos escolhidos por maiorias que votam no seu partido, e não no HOMEM que convém por provas dadas das suas grandes qualidades. Essa maioria, confia num programa que lhes apresentam e que vai de encontro à provável satisfação das suas ambições, sem respeito pelas ambições de outros. Mas, nessa maioria, encontram-se também eleitores que, ao votar, não têm consciência da responsabilidade do seu acto porque, provavelmente, foram manipulados por defensores de partidos que funcionam como clubes aos quais são fiéis. Esta é uma realidade, não é uma suposição. Os sacrificados, as grandes vítimas, são aqueles que estão a pagar pela predominância duma classe privilegiada e egoísta. Não estou a refirir-me a uma classe social como é, normalmente, referida: rica, ou pobre. Estou a referir-me a uma classe de gente para quem os valores são, predominantemente, materiais. Quanta gente muito pobre os defende! Eu não seria contra a situação da classe privilegiada desde que, os outros, tivessem direito a uma base segura, que lhes garantisse emprego, um tecto, um bom serviço de saúde e de educação, gratuitos e o direito inquestionável a condições que lhes permitissem uma velhice tranquila, num ambiente de Amor. O que saisse deste grupo de bens de direito, faria parte de conquistas conseguidas, desde que com lealdade, honestidade, e não prejudicando fosse quem fosse.
Eis a razão, acima muito sintetizada, do por quê da existência de tantos privilegiados, em deterimento do chocante número de pessoas que vive na miséria - sem receio de exagerar! – pessoas essas que estão a pagar uma pesadíssima factura por erros cometidos por devoção a partidos e não a Valores.
Maria Letra
2015-07-16